#PapoFurado

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Religião Poética (MEA CULPA)

Enquanto todos dormem,
irrequieto meu corpo dá sinais de desgaste,
desejando que algo o devaste,
que algo o relaxe,
desejando algo!

Penso no que fiz hoje,
e no que não fiz ontem.
Não penso no amanhã.
Que farei eu amanhã
senão as mesmas coisas que fiz hoje?
Será o mesmo céu,
a mesma voz e olhos.
O mesmo Sol,
o mesmo coração e ar.
(Claro, se a morte não vier me visitar)


Enquanto todos dormem
eu escrevo.
As páginas do caderno são as únicas
que suportam meu desabafo.

Até agora, estas coisas tão interessantes que falei
estão apenas iludindo a proposta inicial deste ritual:
Dar o Codex de minha religião poética.

Os títulos são batatas
e a última estrofe é uma hipófise.
Em minha poesia
sempre há uma angústia, um obstáculo,
o que torna tudo isso num espetáculo
sem platéia.

Nesse mesmo instante,
uma força distante
se faz um comigo.
O impossível acontece
e paradoxalmente
lembro do que se esquece.
Meu coração entenebrece...

Agora, alguma alma feudal
revigora minha afinidade medieval
e sussurra polifonicamente: Mea Culpa

Ouço o ronco do mundo.
Ouço o bocejo do Oriente.
Ouço os palpites dos jogos de azar.
Só não ouço a mim mesmo.
Penso tão claramente
que qualquer ilustre demente me entenderia!

Onde está meu tempo?
Onde estão minhas atividades?
Estou fugindo de auto-ajuda!
Não sou mais um que julga,
nem sou Judas,
pois esse a ninguém traiu.

Enquanto todos dormem,
sinto uma alma que me pede sedativo.
Esse sim é meu insentivo
de bradar com altivez
que mais uma vez
a culpa é minha.
Mea Culpa

Não quero fazer as pazes com o drama.
Só quero ver um sorriso,
que quando eu vejo, eu sinto:
Foi no dia vinte e cinco
que encontrei fé e paz.
Bebi de uma esperança tão criança
que me tornou sentinela do tempo...

Enquanto todos dormem,
eu me batizo de poesia.


Diego Schaun – 04 de Janeiro de 2011

6 comentários:

  1. É na inquietude ansiosa da alma que se expressa a essência dos verdadeiros sentimentos além alma...
    Lindo poema como tudo que foi expresso... Senti cada linha.. cada frase... cada verbo... sempre!

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  2. Me arrepio nestas leituras... Tão suas, tão minhas também...
    Quantas questões compartilhadas, quantas culpas dividididas...

    Parabéns por transformar isso em arte!!
    Qualquer "demente" entenderia, não por este ser ilustre... Mas pela poesia deste autor, por sua clareza, leveza e verdade no que escreve.

    Bjus!!!

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  3. Muito bom, a sua forma de expressar... Me identifiquei em muitas partes.

    Enquanto todos dormem,
    sinto uma alma que me pede sedativo.

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  4. "Só quero ver um sorriso,
    que quando eu vejo, eu sinto:
    Foi no dia vinte e cinco
    que encontrei fé e paz.
    Bebi de uma esperança tão criança
    que me tornou sentinela do tempo..."

    Esses são quase sempre os meus sedativos..

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  5. Gostei dos textos!

    Depois passe no meu blog!

    http://dizcorra.blogspot.com

    Sempre que postar vou dar uma olhada! =]

    Abraço!

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  6. Luís Felipe, Artur, Aninha e Denise! Grato! Abraços

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